Viver com menor stress

Estratégias para gerir o stress e reduzir o seu impacto na diabetes.

 

Texto: Ana Lúcia Covinhas (Psicóloga da APDP)

In revista “Diabetes – Viver em Equilíbrio”, Ed. 74

 

Quando a pessoa está sob stress os níveis de açúcar no sangue tendem a subir. Este facto deve-se à resposta do organismo perante a hiperprodução de algumas hormonas, tais como adrenalina e cortisol, para fazer face a este estado de alerta. O aumento de energia permite à pessoa enfrentar o desafio com maior eficácia.

As hormonas do stress estão preparadas para lidar com situações súbitas de perceção de ameaça, facultando uma resposta rápida. Quando se trata de stress de longa duração, os estudos demonstram um continuado aumento dos níveis de glicose e o decorrente descontrolo da diabetes. Daí a importância de considerar o stress nas pessoas com diabetes.

Outra forma do stress afetar a diabetes é através do próprio comportamento de gestão da terapêutica, nomeadamente negligenciando o controlo das glicemias ou partindo para uma ingestão alimentar inadequada.

O stress pode ser físico ou mental. No primeiro, pode decorrer de ou desencadear sintomas e doença física. No segundo, a pessoa pode estar a reagir a uma situação real, como o luto de uma perda, uma situação financeira complicada, problemas familiares, sociais, entre outros, ou pode estar apenas a reagir a um evento inofensivo como se de uma ameaça real se tratasse.

A resposta de stress depende da perceção que cada pessoa faz de determinada experiência.

 

Grupos de apoio: conhecer outras pessoas que vivam com diabetes

Existem fontes de stress que acompanham a pessoa ao longo da vida. Viver com diabetes pode ser uma fonte de stress. Um recurso possível são os grupos de apoio através dos quais poderá conhecer outras pessoas que vivem com a mesma doença. Vantagens de participar em grupos de apoios:

  • Reduzir o stress pela aprendizagem de truques alternativos para gestão e controlo.
  • Diminuir a perceção de solidão enquanto pessoa com diabetes.
  • Tomar consciência do potencial stressante da exigente gestão diária, que emerge da discussão interpares.
  • Manter uma relação de confiança com a sua equipa de saúde.

 

10 dicas para gerir o stress

 

  1. IDENTIFIQUE AS CAUSAS

Identificar as fontes de stress permite-lhe treinar estratégias para as enfrentar, assim como desenvolver competências para as prevenir. Depois de identificadas, a pessoa deve perceber se são fontes de stress súbitas ou de longa duração.

 

  1. CONSULTE UM PROFISSIONAL DE SAÚDE ESPECIALIZADO

Poderá ser benéfico discutir o seu estado de saúde e as estratégias a adotar com um profissional de saúde especializado, nomeadamente na área de saúde mental.

 

  1. RECORRA A TERAPIAS DE RELAXAMENTO

É importante encontrar uma ou mais terapias de relaxamento com as quais se sinta bem e não aderir a estas práticas apenas porque alguém lhe diz que fazem bem. Quando colocamos uma expectativa elevada numa atividade e o resultado não é o desejado, a frustração sentida pode conduzir à desistência e ao aumento da resistência em procurar alternativas.

 

  1. PEÇA A ORIENTAÇÃO DE UM NUTRICIONISTA

Procure um aconselhamento ao nível da nutrição, com o objetivo de adotar hábitos alimentares saudáveis e promotores do bem-estar geral.

 

  1. PRATIQUE ATIVIDADE FÍSICA

Adote rotinas que envolvam atividade física regular ou procure um espaço de atividade física onde possa ter a orientação de um especialista do desporto.

 

  1. MELHORE O SEU SONO

Conheça os respetivos ciclos de sono e procure dormir as horas indicadas para si. Trata-se de um tema muitas vezes descurado no decorrer do acompanhamento clínico. Isto porque, na maioria dos casos, sendo adequado ou não, tende a fixar-se e conduz a pessoa a entende-lo como um hábito, desvalorizando-o. Por isso, discuta-o com o seu médico assistente.

 

  1. CONHEÇA-SE A SI PRÓPRIO

Tenha em conta que existem características da própria personalidade que tornam a pessoa mais permeável ao stress. Conhecer-se melhor só lhe trará maior controlo sobre si e sobre o que de si depende.

 

  1. USE A ENERGIA EM EXCESSO PARA FAZER ALGO QUE LHE PROPORCIONE PRAZER

Transforme o excesso de energia em algo que proporcione prazer, como um hobby, por exemplo. Deve ter em conta que no início lhe parecerá difícil ou até mesmo impossível. No entanto, deve ser perseverante, pois o efeito terapêutico será, posteriormente, sentido.

 

  1. ESTEJA PREPARADO PARA A MUDANÇA

Esteja consciente que mudar hábitos implica alterar rotinas instaladas. Estas não só ritualizam como organizam o nosso dia a dia sem exigir um grande investimento cognitivo. Nessa medida, mudar hábitos é partir para o desconhecido, o que pode causar insegurança e desorganização. Assim, prepare as mudanças, organize-se, defina objetivos realistas e realizáveis.

 

  1. ASSUMA UMA ATITUDE DE CONFRONTO E RESOLUÇÃO

Procure ter uma atitude de confronto e resolução da “Situação” ou “Problema”, respondendo a questões que se pode colocar a si próprio, tais como: “o que posso eu fazer acerca desta situação / problema?”; “Que recursos tenho ao meu dispor?”; “Posso contar com a ajuda de alguém?”, entre outras.

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