Tipos de neuropatia diabética

Compreenda melhor esta complicação da diabetes. Saiba como um bom controlo da glicemia ajuda a prevenir a sua evolução, garantem os especialistas.

 

Texto: José Luís Medina (Endocrinologista)

 

A diabetes pode dar origem a complicações, sendo uma delas a neuropatia (lesão dos nervos). O aumento da glicose no sangue (hiperglicemia) é uma das causas mais importantes desta complicação. Mas há outras causas que se associam à hiperglicemia. O estabelecimento da neuropatia pode ser tão lento que nas fases iniciais pode não dar sintomas nem sinais. Mais tarde, pode dar sintomas, como adormecimento ou dor, sobretudo nas extremidades dos membros, ao nível das pernas e dos pés. Também pode provocar alterações da função motora e da sensibilidade. A extremidade das mãos pode ser igualmente atingida, dando origem a alterações semelhantes às dos pés.

Os sintomas podem variar de acordo com o tipo da lesão das fibras nervosas afetadas.

É possível prevenir a neuropatia ou atrasar o seu desenvolvimento, graças a um bom controlo da diabetes, através de um estilo de vida saudável (alimentação e atividade física, não fumar e evitar bebidas alcoólicas) e cumprindo o tratamento farmacológico adequado.

Há quatro tipos principais de neuropatia:

 

  1. Polineuropatia simétrica distal

A polineuropatia simétrica distal pode atingir as pernas e os pés, bem como os braços e as mãos. Pode manifestar-se por dores locais, sensação de adormecimento ou picadas ou queimadura, perda da sensibilidade táctil, fraqueza muscular, perda de reflexos (por exemplo, o reflexo aquiliano), perdas de equilíbrio e da coordenação motora e problemas graves nos pés, como úlceras, infeções, deformidade e dores das articulações.

 

  1. Lesão do sistema nervoso autónomo

O sistema nervoso autónomo controla vários órgãos que funcionam independentemente da vontade, como o coração, os intestinos e o estômago (paralisia do estômago, diarreias), o aparelho genital (afeta a ereção do pénis, paralisia da bexiga, incontinência urinária). A seguir descrevemos algumas alterações que são devidas a atingimento do sistema nervoso autónomo:

  • Baixas de glicose (hipoglicemia sem aviso);
  • Obstipação ou diarreia;
  • Náuseas, vómitos, enfartamento, dificuldades na deglutição;
  • Secura vaginal;
  • Aumento ou redução da sudação;
  • Baixa da pressão arterial (hipotensão) quando se levanta (postural);
  • Coração com “pulsações” mais rápidas mesmo em repouso;
  • Dificuldades no ajustamento visual da luz para ambiente escuro.

 

  1. Amiotrofia diabética, neuropatia proximal ou femural

A amiotrofia diabética, neuropatia proximal ou femural afeta os músculos das coxas, nádegas, “bochechas” ou pernas. É mais frequente na diabetes tipo 2 ou nos diabéticos mais idosos. Os sintomas são habitualmente unilaterais podendo melhorar com o passar do tempo.

Alguns sintomas ou sinais:

  • Dores súbitas intensas, na coxa, nádega ou ancas;
  • Dificuldade em levantar-se a partir da posição de sentado, perda de peso.

 

  1. Mononeuropatia, neuropatia focal

A mononeuropatia, neuropatia focal corresponde a uma lesão específica na face, tronco ou pernas. É de aparecimento súbito, mais em idosos. As dores podem ser muito intensas. Pode haver visão dupla ou dores oculares. Paralisia facial. Também dores no pé, coxa, tórax ou abdómen. Pode haver outras causas, por exemplo, compressão de um nervo.

 

Causas da neuropatia

Em geral, verifica-se lesões dos nervos e/ou dos vasos sanguíneos. As causas da neuropatia podem ser: exposição prolongada a níveis elevados de glicose no sangue, lesões dos capilares dos nervos, duração da doença e idade avançada.

Existem outros fatores causais, como: inflamação dos nervos, fatores genéticos, tabaco e álcool.

 

Principais complicações

São complicações relacionadas com a neuropatia: úlceras nos pés ou pernas (evitar andar descalço, “fugir” de aquecedores, lareiras ou botijas de água quente, vigiar os pés todos os dias); infeções urinárias e incontinências; impotência no homem; alteração da lubrificação vaginal.

 

Conselhos

Manter a glicose no sangue em valores próximos do normal é a melhor forma de prevenir e de evitar a progressão desta complicação. Coma de forma saudável. Não fume. Vigie o peso. Faça passeios diários. Não abuse do álcool. Vigie os pés todos os dias. Consulte regularmente o seu médico.

 

Alguns fatores de risco

  • Deficiente controlo da glicose no sangue.
  • Duração da diabetes.
  • Lesão nos rins.
  • Sobrecarga de peso.
  • Tabagismo.

 

Em resumo

  • Coma de forma saudável.
  • Não fume.
  • Vigie o peso.
  • Faça passeios diários.
  • Não abuse do álcool.
  • Vigie os pés todos os dias.
  • Consulte regularmente o seu médico.

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