Lidar com a menopausa

Fique com conselhos e estratégias para viver bem o período após a idade fértil.

 

Texto: Lisa Vicente (Ginecologista Obstetra da APDP)

In revista Diabetes Viver em Equilíbrio, Ed. 86

 

A menopausa – período que se segue à idade fértil na mulher – surge em média por volta dos 50 anos, mas existem variações. Pode ser um processo de transição fisiológico (normal) ou surgir em consequência de uma intervenção cirúrgica. Nas mulheres submetidas a cirurgia em que foram retirados os ovários (ooforectomia) esta transição pode ser abrupta e por isso os sintomas podem surgir de forma intensa.

Os sintomas mais frequentes são os “afrontamentos”, os “calores/transpiração noturnos”, as alterações do humor e a diminuição da lubrificação vaginal – “sentir-se seca nas relações sexuais”. O aumento de peso associado ao aumento de deposição de tecido adiposo abdominal, leia-se “barriguinha” que não existia antes, e a alteração da qualidade do sono – “dormir mal, acordar cansada” – são outros dos sintomas frequentemente sentidos, mas subestimados.

 

Então o que fazer?

Quando não existem sintomas que interfiram na qualidade de vida, não é necessário fazer tratamento. Contudo, é importante manter os cuidados com a alimentação – para não aumentar de peso -, os cuidados com a pele – porque vai continuar a envelhecer -, manter ou criar hábitos de exercício físico e ingestão de cálcio (laticínios, vegetais de folha verde ou amêndoas, por exemplo). Tal como usamos cremes hidratantes para a face ou para o corpo, também a vagina precisa de hidratação. Sem isso, muitas vezes torna-se seca e muda a flora vaginal (microbioma vaginal). Estes factos tornam mais frequentes o aparecimento de infeções vaginais e/ou urinárias. E este cuidado é importante mesmo para as mulheres que não têm uma vida sexualmente ativa.

Ou seja, mesmo que não existam sintomas “típicos de menopausa”, de facto, o corpo vai continuar o seu processo fisiológico de envelhecimento. É importante ter consciência de que é um facto real (“a menopausa existe”) e criar estratégias para contrariar ou atenuar as alterações que este estado fisiológico produz. Na atualidade uma mulher quando atinge a menopausa está ainda, muitas vezes, numa fase ativa e produtiva da sua vida. E por isso, tal como pode precisar de óculos para ler perto, pode ter de introduzir novos hábitos na sua vida.

Quando a menopausa “vem associada” a outros sintomas, então há que os tratar. Tal como se tratam dores de cabeça ou azia. Hoje em dia acredita-se em fazer tratamento individualizado. Ou seja, tratar a mulher considerando os seus sintomas, o seu estado de saúde, os seus fatores de risco, respeitando a forma como pensa e o seu ritmo de vida.

Os afrontamentos, a diminuição da lubrificação vaginal (às vezes já com dor nas relações sexuais), de humor e do ritmo de sono, podem ser facilmente tratadas com terapêutica hormonal. A forma de o fazer tem de ser definida em consulta, com base na história clínica e em alguns exames. Não existem “truques” ou terapêuticas que resultem com todas as mulheres. Mas hoje em dia já existem muitas opções de tratamento que resultam numa melhoria da qualidade de vida e na modificação destes sintomas.

Então na prática o que fazer, se está ou acha que está em menopausa?

Não se render. Hoje em dia, com uma esperança de vida de mais de 80 anos, uma mulher em menopausa tem ainda muitos anos de vida pela frente. Aceitar a menopausa como uma etapa da vida. Mudar o que é preciso mudar. Marcar uma consulta para discutir de forma individualizada o que fazer. E se acha que é “conversa de revista”, esqueça. Pense na quantidade de mulheres que produzem trabalho útil, inventivo e essencial nesta idade. Eu lembro-me de vários exemplos.

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