Como devo cuidar dos pés?

Existem cuidados com os pés dirigidos a pessoas com fragilidades associadas à diabetes. Saiba quais e como atuar para evitar lesões.

 

Depoimentos: Ana Luísa Costa (responsável médica pelo Departamento de Podologia da APDP)

Edição: Ana Margarida Marques

In Revista Diabetes Viver em Equilíbrio, Ed. 74

 

A diabetes pode afetar a possibilidade dos pés e a circulação arterial das pernas. Após alguns anos de evolução da doença podem surgir alterações nos nervos das pernas que afetam a sensibilidade.

Existem cuidados com os pés dirigidos a pessoas com fragilidades associadas à diabetes, nomeadamente: neuropatia diabética, doença arterial periférica e deformação de pé. Para as pessoas que apresentam estas fragilidades há cuidados gerais que é importante seguirem no seu dia a dia para evitar lesões. A pessoa com diabetes deve realizar o rastreio anual do pé diabético. Sabe-se que a lesão que aparece nas pessoas que têm pé diabético consegue ser prevenida com cuidados básicos.

 

  1. OBSERVAÇÃO

As pessoas com diabetes observem os pés pelo menos uma vez por dia, de preferência no final do dia quando se descalçam.

Devem fazê-lo num local com boa luminosidade e numa posição confortável e segura. Quando não é possível à própria pessoa observar diretamente a planta do pé, pode recorrer a um espelho, segurando-o na mão ou colocando-o no chão.

Tenha atenção especial aos espaços entre os dedos, locais propícios ao desenvolvimento de lesões ou infeções provocadas por fungos.

É aconselhável procurar a ajuda de um profissional de saúde quando se verificam alterações: feridas, verrugas, manchas vermelhas, zonas de descamação da pele, calosidades.

 

  1. LAVAGEM

A lavagem dos pés deve ser realizada diariamente, de preferência no final do dia. O ideal é que seja feita em água tépida corrente.

Antes de molhar os pés a temperatura da água deve ser verificada com um termómetro ou com o cotovelo, uma vez que se os nervos tiverem afetados a pessoa com diabetes pode molhar os pés em água muito quente, sentindo-a apenas morna, queimando-os.

É importante que a lavagem não seja feita colocando os “pés de molho”.

Para a lavagem deve utilizar-se um sabonete e não um sabão, que é mais agressivo.

Para auxiliar a remoção da sujidade do pé não é aconselhável uma esponja sintética, é preferível utilizar uma esponja natural ou uma manápula turca macia.

 

  1. SECAGEM

A secagem dos pés deve ser efetuada com uma toalha clara, de algodão.

Não devem ser utilizados para a secagem de pés secadores de cabelo nem outras fontes de calor, devido ao enorme risco de queimadura que estes apresentam.

Mesmo a emitir apenas ar frio o secador de calor seca demasiado a pele e por isso agride-a.

 

  1. HIDRATAÇÃO

Deve ser aplicado um creme hidratante diariamente nos pés e nas pernas, com exceção dos dedos e espaços interdigitais.

Nos espaços entre os dedos e nos dedos não se deve aplicar nenhum creme, pomada ou loção, uma vez que normalmente estas zonas já estão sujeitas à humidade que se gera dentro dos sapatos.

 

  1. CORTE DE UNHAS E TRATAR AS CALOSIDADES

O corte de unhas pode ser um ato perigoso devido à falta de sensibilidade e diminuição da acuidade visual, por isso para o tratamento adequado das unhas não deve utilizar nenhum tipo de instrumento cortante, por exemplo tesoura, alicate, corta unhas, lâminas.

O ideal para o desbaste das unhas é a utilização de limas de cartão uma ou duas vezes por semana.

Para a remoção das calosidades não se devem utilizar objetos cortantes nem metálicos por causa do risco elevado de provocar feridas, mas sim lixas de pés, uma a duas vezes por semana.

 

  1. AQUECER OS PÉS

Não deve utilizar fontes de calor para aquecer os pés.

A insensibilidade causada pela doença pode não permitir que a pessoa se aperceba da temperatura real que a sua pele atinge, fazendo uma queimadura profunda.

Não é recomendado utilizar lareiras, braseiras, escalfetas, aquecedores.

Estão desaconselhados também cobertores elétricos e botijas de água quente.

 

  1. TRATAMENTO DAS FERIDAS

Não deve “desinfetar” as feridas com produtos que “pintam” e que secam as feridas. O ideal é lavar com soro fisiológico.

Posteriormente deve-se proteger a ferida com uma compressa e procurar ajuda de um profissional. A fixação da compressa no local da ferida deve ser feita, utilizando-se adesivo hipoalergénico.

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