Projeto “Aceder Saúde” dá apoio a migrantes, refugiados e minorias étnicas com diabetes

A propósito do Dia Mundial dos Refugiados, que se assinala a 20 de junho, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) alerta para as dificuldades que as comunidades de migrantes, refugiados e minorias étnicas com diabetes ainda sentem no acesso aos cuidados de saúde. Para aumentar a acessibilidade destas comunidades, integrando-as nos cuidados de saúde, a associação está a desenvolver o projeto “Aceder Saúde”, que oferece o acompanhamento especializado de uma equipa multidisciplinar, contribuindo para a segurança na proteção do contágio pela covid-19, melhoria do estado de saúde e compensação da diabetes.

 

Lisboa, 17 de junho de 2022

Este projeto, que abrange quatro áreas distintas e fundamentais de intervenção (assistência remota, assistência presencial, apoio social e educação) foi um dos vencedores do Prémio Solidário BPI | Fundação “La Caixa” 2021 e conta com a parceria da Câmara Municipal de Oeiras e de várias organizações de base comunitária. A Linha de Apoio da APDP está disponível para os migrantes com diabetes, das 9 às 17 horas, através do número 213 816 161.

“O aumento e diversificação dos fluxos migratórios trouxeram novos desafios ao nível da saúde pública. Por um lado, os migrantes apresentam diferentes padrões de morbilidade e estado de saúde, e, por outro, dificuldades na utilização dos serviços de saúde, verificando-se a sua subutilização e, consequentemente, da prevenção das doenças crónicas, mas também a sobre utilização dos serviços de urgência, uma situação que estará relacionada com os vários fatores que influenciam a acessibilidade”, alerta José Manuel Boavida, presidente da APDP.

“As mudanças de estilo de vida resultantes da migração e a aculturação a um sistema de vida diferente são fatores que também afetam o estado de saúde dos migrantes. Exemplo disto são as mudanças no tipo de alimentação, no stress diário, ou até na atividade física/sedentarismo, o que pode levar a problemas de saúde como obesidade ou subnutrição, que prejudicam a saúde e contribuem para o aumento da incidência de doenças como a diabetes”, acrescenta.

A esta situação já complexa juntam-se também a situação pandémica, que contribuiu para acentuar os problemas sociais, como o desemprego, a violência e o risco de pobreza, mas também de saúde, como a capacidade de acesso aos cuidados de saúde e o incumprimento do plano terapêutico, principalmente devido à não aquisição da medicação prescrita.

Dulce do Ó, enfermeira coordenadora do projeto, explica que “esta é uma realidade ainda mais preocupante no caso das pessoas com diabetes, uma vez que esta é uma doença crónica que requer cuidados diários e tratamento continuado e já complexa por si só.”

“Neste momento, é crucial apostar no apoio especializado e multidisciplinar, remoto e presencial, facilitando a articulação com as respostas locais e transmitindo informação relativa às questões da legalização e da integração no SNS e educando estas comunidades”, remata.

Para o fazer, o projeto abrange quatro áreas:

  • Acompanhamento por uma equipa multidisciplinar da APDP em sistema remoto – Linha de Apoio da Diabetes, que existe desde março de 2020, com o objetivo de prestar aconselhamento especializado às pessoas com diabetes, evitar deslocações desnecessárias e reduzir a possibilidade de contágio no período em que durar a pandemia da covid-19, reforçando assim a comunicação com este grupo de risco.
  • Assistência presencial, com acompanhamento especializado e multidisciplinar – as pessoas podem ser acompanhadas presencialmente na APDP para a realização de consulta médica ou de enfermagem.
  • Apoio do serviço social da APDP – articulação com as respostas locais, transmitindo a informação relativa às questões da legalização e da integração no SNS a estas populações e facilitando navegação no sistema de saúde e social.
  • Educação – Desenvolvimento de um programa de educação, que envolve a realização de 3 sessões de formação em grupo sobre as temáticas: Conheça a diabetes, Diabetes e Covid-19, Direitos e deveres do migrante.

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