Os 100 anos do milagre da Insulina

Foi há um século, neste dia 11 de janeiro, que a insulina foi aplicada pela primeira vez a uma pessoa.

 

Artigo de Luis Gardete Correia, publicado no Público

11 de janeiro de 2022

 

A 11 de janeiro de 1922, no Hospital Geral de Toronto, Canadá, estava numa enfermaria um jovem de 14 anos com diabetes tipo 1 em estado grave e com uma reduzida esperança de vida. Havia entrado várias vezes em coma diabético e pesava apenas 25 quilos. Chamava-se Leonard Thompson. Fora ele o escolhido para receber as injeções de insulina produzidas por Frederick Banting e Charles Best, sob a supervisão de John Macleod, e que havia incorporado melhorias do bioquímico James Collip. O extrato com insulina falhou de início em produzir resultados muito significativos e foi, entretanto, interrompido.

No final de janeiro, Collip havia, entretanto, descoberto um novo método para produzir esse extrato, cuja pureza excedia em muito a das tentativas anteriores. Observou-se então uma leve diminuição do açúcar na urina e uma diminuição de 25% do açúcar no sangue.

A insulina funcionava!

A descoberta da insulina abriu a porta a uma série de outras descobertas sobre hormonas e a muito outros fármacos que continuam a melhorar e a salvar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Leonard Thompson é considerado a primeira pessoa com diabetes tratada com sucesso com insulina. Viveu mais 13 anos, tendo morrido por causa de uma pneumonia. Ainda não tinha chegado a era dos antibióticos!

A 3 de maio de 1922, John Macleod, representando o grupo, anunciou à comunidade médica internacional, numa reunião da Associação dos Médicos Americanos, que havia descoberto a “insulina” – o agente antidiabético. Em 1923 Banting e Macleod recebem o Prémio Nobel da Medicina. Banting dividiu-o com Best e Macleod fê-lo com Collip.

Até que a insulina fosse disponibilizada, um diagnóstico de diabetes tipo 1 era uma sentença de morte, que acontecia mais ou menos rapidamente (geralmente em meses e, frequentemente, em semanas ou dias).

A diabetes continua a ser, 100 anos depois, um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Está agora entre as dez principais causas de morte em todo o mundo. Apesar dos compromissos globais para deter o aumento da diabetes até 2025, as mortes por diabetes aumentaram 70% desde 2000.

Hoje, 100 anos após a descoberta da insulina, em 1921, em muitos locais do mundo, o acesso à insulina permanece difícil ou mesmo impossível para muitas pessoas. Mesmo em países desenvolvidos, mas com baixa proteção social para camadas mais desfavorecidas, os preços inexplicavelmente elevados condicionam o seu acesso e estão na origem de complicações e mortes prematuras.

Em Portugal, a insulina chegou logo a seguir à sua disponibilidade pela mão de Ernesto Roma, médico português que estava nos Estados Unidos logo após a sua descoberta. Regressou a Lisboa e, enfrentando as notícias de mortes de pessoas com diabetes sem capacidade financeira para a aquisição de insulina, criou, em 1926, a Associação Protectora dos Diabéticos Pobres, hoje de Portugal, cujo objetivo primeiro era o de dar gratuitamente insulina às pessoas carenciadas e com diabetes.

Nos anos oitenta do século passado, Manuel Sá Marques, sucessor de Ernesto Roma, liderou o empenho para que a insulina fosse comparticipada a 100%. Sensibilizado o Governo de então, com a colaboração de Maria de Belém, a partir daquela época, a insulina passou a ser gratuita em Portugal mediante prescrição médica.

Muitos milhares de vidas foram desde então salvas pela descoberta da insulina!

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