OMS publica resolução para que países abordem a diabetes como problema de saúde pública

A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal congratula-se com a resolução da Organização Mundial da Saúde, que alerta os países para a necessidade de progressos na resposta à diabetes.

 

Lisboa, 19 de fevereiro de 2021

Como resolução saída da 3.ª Reunião de Alto Nível sobre Doenças Não Transmissíveis, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a todos os países que adotem medidas para encarar a diabetes como problema de saúde pública, reforçando que as pessoas com diabetes são das que mais sofrem com a pandemia da covid-19.

 

Segundo dados da OMS, em 2014, mais de 422 milhões de pessoas viviam com diabetes, o que equivale a 6% da população mundial. A OMS estima que em 2030 este número suba para 570 milhões e, em 2045, para 700 milhões. Em 2019, a diabetes estava entre as 10 principais causas de morte identificadas pela OMS e a probabilidade de morrer por causa da diabetes, na faixa etária entre os 30 e os 70 anos, aumentou 5% entre 2000 e 2016. O Relatório “Diabetes. Factos e Números de 2020” aponta mesmo para uma prevalência a atingir os 30% nas pessoas com mais de 60 anos, ou seja, na população mais castigada pela covid-19.

 

José Manuel Boavida, presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, reforça a preocupação da OMS e refere que “em Portugal, a pandemia da covid-19 veio dificultar ainda mais o investimento necessário na prevenção, no diagnóstico precoce, no acompanhamento e na integração de cuidados na diabetes. Pela dificuldade no acesso aos serviços de saúde, pela interrupção dos tratamentos, pela deslocação dos profissionais do SNS para atendimento exclusivo a casos covid, entre tantos exemplos que poderiam ter sido minorados por equipas dedicadas a uma coordenação dos cuidados na diabetes a nível regional. Já em outubro a APDP se ofereceu para integrar uma equipa que avaliasse necessidades e alternativas, coordenando a intervenção em colaboração com os ACES e o Hospital respetivo. É necessário não deixar para trás o acompanhamento das pessoas com diabetes e com outras doenças crónicas. Podemos voltar a ver situações que já não víamos há anos.”

 

Para a OMS, no ano em que se assinala o centenário da descoberta da insulina e tendo em conta os ganhos significativos para a saúde proporcionados pela pesquisa e pela inovação, os estados membros devem intensificar os seus esforços na prevenção e no controlo da diabetes, para conseguirem alcançar as metas previstas no plano de ação global para as doenças não transmissíveis 2013-2020.

 

“O desinvestimento na diabetes precisa de ser revertido urgentemente para reduzir o sofrimento de milhões de pessoas que vivem com esta doença, e esse é o principal apelo feito pela OMS, secundado energicamente pela APDP”, conclui José Manuel Boavida.

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