Hiperglicemia

A diabetes é uma doença que se caracteriza pela hiperglicemia que se deve em alguns casos, à insuficiente produção de insulina pelo organismo, noutros casos à insuficiente ação da insulina e frequentemente, à combinação destes dois factores.

As pessoas sem diabetes devem ter uma glicemia entre 80 e 110 mg/dl antes das refeições e até 140 mg/dl depois das refeições.

A insulina é uma hormona que faz naturalmente parte do organismo, e que serve essencialmente para fazer com que o açúcar existente no sangue – que é proveniente dos alimentos ricos em hidratos de carbono e que é a nossa fonte energética principal – seja bem aproveitado, entrando nas células, para ser convertido em energia.

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Quando de repente deixa de existir insulina no organismo (Diabetes Tipo 1) ou quando existe em quantidade insuficiente, ou não consegue actuar (Diabetes Tipo 2), o açúcar acumula-se no sangue (provocando hiperglicemia) em vez de entrar nas células do organismo, para dar a energia necessária para o dia a dia. Nesta situação de hiperglicemia, para além da falta de forças, as pessoas perdem peso entre outros sintomas:

  • Urinar em grande quantidade e mais vezes
  • Ter sede constante e intensa
  • Sensação de boca seca
  • Fome constante e difícil de saciar
  • Cansaço
  • Comichão no corpo (sobretudo ao nível dos órgãos genitais)
  • Visão turva

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Na criança e no jovem:
Quase sempre na criança e nos jovens a diabetes é do tipo 1 e aparece de maneira súbita e os sintomas são muito nítidos.

  • Urinar muito (por vezes, pode voltar a urinar na cama)
  • Ter muita sede
  • Emagrecer rapidamente
  • Grande fadiga com dores musculares
  • Dores de cabeça, náuseas e vómitos

Quaisquer dos outros sintomas já atrás referidos podem também estar presentes. Perante estes sintomas, o diagnóstico de Diabetes deve ser rápido, seguido do início do tratamento com insulina. Se isto não acontecer, a pessoa com Diabetes entra em Coma Diabético e corre perigo de vida.

 

No adulto 
No adulto é habitual a Diabetes não dar sintomas na fase inicial ou os sintomas serem desvalorizados ou confundido com cansaço ou stresse, o que faz com que algumas vezes a diabetes passe despercebida durante anos. Por vezes os sintomas mais marcantes só aparecem quando a glicemia está muito elevada e, habitualmente, de modo mais lento do que na criança ou jovem.

Convém as pessoas fazerem análises com regularidade e estarem atentas aos sintomas, para que não aconteça andarem alguns anos com valores de açúcar no sangue elevados. Chega a acontecer algumas pessoas só descobrirem que têm diabetes quando já existem complicações, por exemplo nos olhos – algo que poderá surgir ao fim de 5 anos de evolução da diabetes. Nestes casos, significa que a pessoa já tinha diabetes há pelo menos 5 anos, sem saber…

Hipoglicemia

A hipoglicemia geralmente ocorre em pessoas com diabetes que utilizam fármacos para baixar os níveis de açúcar no sangue, seja insulina ou comprimidos (antidiabéticos orais).

Esta situação pode acontecer essencialmente por três motivos (isolados ou em conjunto): toma excessiva/incorreta da medicação, jejum prolongado ou refeições sem alimentos ricos em hidratos de carbono e exercício físico exagerado ou não programado.

A hipoglicemia corresponde a valores de glicemia iguais ou inferiores a 70mg/dl.

Quanto melhor for o controlo metabólico menor será a probabilidade de ocorrer uma hipoglicemia. Saber tratar uma hipoglicemia é extremamente importante para evitar complicações graves que podem advir, como o coma hipoglicémico.

A glicose (açúcar) é a principal fonte de energia utilizada pelo nosso corpo, o cérebro, por exemplo, só utiliza glicose como fonte de energia.

 

O que provoca a hipoglicemia?

  • erros na alimentação, como passar várias horas sem comer ou ingerir quantidades insuficientes de hidratos de carbono;
  • erros na administração de medicação oral ou excesso de medicação (oral ou insulina);
  • exercício físico não programado e sem suporte alimentar antes e depois;
  • consumo de álcool em excesso e/ou fora das refeições ou então a refeições sem hidratos de carbono.

 

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É importante que a pessoa com Diabetes e os seus familiares saibam reconhecer os sintomas e agir em caso de hipoglicemia.

Os sintomas da hipoglicemia podem ser:

  • visão turva
  • fraqueza
  • tonturas
  • náuseas
  • sensação de fome (vontade extrema de comer tudo)
  • dor de cabeça
  • tremores
  • suores frios
  • palpitações cardíacas
  • palidez
  • ansiedade/irritabilidade.

Convém referir que apenas alguns destes podem estar presentes consoante a gravidade da hipoglicemia, podendo variar de pessoa para pessoa.

No entanto, em situação de hipoglicemia grave os sintomas podem ser:

  • confusão mental
  • amnésia
  • desmaio
  • convulsões
  • coma

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Como tratar a hipoglicemia?

Tratar a hipoglicemia moderada

Quando surgem sintomas de hipoglicemia a primeira coisa a fazer é uma pesquisa de glicemia. Se tiver efetivamente os valores de glicemia abaixo dos 70 mg/dl deverá seguir os seguintes passos:

  1. Ingerir 10 a 15 gramas de açúcar, ou 2 pacotes de açúcar equivalentes, diluídos numa pequena quantidade de água ou sumo. Esperar em repouso.
  2. Repetir pesquisa de glicemia 10 minutos após a ingestão de açúcar.
  3. Se os valores ainda não estiverem dentro dos valores normais, a cima de 70mg/dl, deverá repetir o primeiro e segundo passo até estabilizar a glicemia (valores superiores a 70mg/dl).
  4. Após a estabilização, valores superiores a 70mg/dl, dentro de 10 a 15 minutos deve fazer uma refeição rica em hidratos de carbono de absorção lenta, como pão, massas, bolachas de água e sal ou tostas.

Uma nota importante: No primeiro passo, a ingestão deve ser realmente de açúcar e não de outro alimento rico em açúcar como um bolo ou um chocolate. Enquanto o açúcar tem uma absorção extremamente rápida, um bolo/chocolate contém gorduras que têm que ser digeridas e isso atrasa a absorção do açúcar. O recomendado é que tenha sempre 3 a 4 pacotes de açúcar na carteira.

 

Tratar a hipoglicemia grave:

Nesta situaçao se a pessoa está agitada, com alteração do estado de consciência ou mesmo inconsciente, a ajuda tem de vir de terceiros e de forma imediata:

  1. Deitar o paciente de lado
  2. Fazer e colocar no interior da bochecha uma papa de açúcar
  3. Administrar glucagon de1 mg por via intramuscular ou subcutânea
  4. Contactar o INEM (112) e expor de forma clara a situação e a sua gravidade

 

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Coma Hipoglicémico

Os sintomas de hipoglicemia podem ser mais ou menos graves, isso depende quer do nível de glicemia, quer do tempo durante o qual ela é prolongada.

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Quando as hipoglicemias são detetadas e tratadas a tempo, por norma elas são resolvidas sem grandes complicações. O grande perigo reside nas hipoglicemias não tratadas.

Quando o nível de açúcar no sangue desce além dos 70 mg/dl temos uma hipoglicemia, no entanto estes valores podem descer de tal maneira que a pessoa pode perder a consciência e até entrar em coma.

Este quadro é uma Emergência e a pessoa deve ser transportada imediatamente para o Hospital.

Portanto se a pessoa que tem uma hipoglicemia apresentar sinais de perda de consciência deve ligar imediatamente para o 112.

 

Prevenção da hipoglicemia

Para prevenir a hipoglicemia é importante:

  • Fazer uma vigilância das glicemias capilares ao longo do dia
  • Ingerir hidratos de carbono ao longo do dia e em todas as refeições
  • Ajustar as doses de insulina às necessidades alimentares e ao exercício físico
  • Variar os locais de administração de insulina

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Hiperglicemia

Um passo importante para ajudar a estabilizar os valores de glicemia na diabetes e que depende exclusivamente de cada pessoa, é a aquisição de hábitos de vida saudáveis, o que implica seguir um plano alimentar saudável e ajustado às necessidades de cada um e a prática de actividade física, (como por exemplo, andar a pé no dia-a-dia.)

Se mesmo tendo estes cuidados, e fazendo a restante terapêutica aconselhada, a hiperglicemia se mantiver é aconselhável falar com a equipa de saúde que o acompanha, pois pode ser necessário ajustar o seu tratamento.

Há hiperglicemias ocasionais, que podem ser provocadas por:

  • Uma ingestão excessiva em hidratos de carbono nas refeições anteriores
  • Uma situação de stress
  • Alterações na acção da medicação como sejam alterações na absorção intestinal dos medicamentos ou problemas técnicos na administração de insulina
  • Períodos de doença aguda como sejam infecções urinárias, respiratórias, intestinais…
  • Outros

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Quaisquer que sejam as causas da hiperglicemia existe uma atitude básica e geral que pode ser feita pelo próprio indivíduo – aumentar a ingestão de água durante esse período de descompensação.

Para detectar esta situação e para que a pessoa possa estar a par do que se passa no seu organismo, convém fazer o autocontrolo sugerido pela equipa de saúde.

 

Coma Hiperosmolar

Já o coma hiperosmolar ou coma hiperglicémico acontece por excesso de açúcar no sangue. É uma situação que exige tratamento hospitalar.

Os sintomas são a desidratação, glicose na urina (glicosúria), aumento da quantidade de urina (poliúria), que pode conduzir a choque hipovolémio, isto é o organismo perde uma quantidade excessiva de líquidos.

 

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É considerada hiperglicemia grave valores acima de 400 mg/dl.

 

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Corpos Cetónicos

O açúcar é a fonte energética natural do corpo humano. Quando deixa de ser utilizado como fonte de energia, o organismo passa a utilizar as reservas de gordura como alternativa. A presença de corpos cetónicos no organismo resulta desse processo, da degradação da gordura, e é um sinal de alarme que obriga a agir e a procurar as causas.

Um dos corpos cetónicos mais conhecidos é a cetona.

 

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Numa situação de carência de insulina, a glicose tem dificuldade em entrar nas células e acumula-se no sangue, elevando-se a sua percentagem a valores acima ou muito acima do normal.

Perante esta situação anormal e de emergência, a célula, na falta de glicose, vai buscar energia às gorduras e depois às proteínas.

É a fase de utilização das reservas do organismo e corresponde, frequentemente, ao período de emagrecimento que observamos nas fases de descompensação da diabetes. Como resultado da utilização das gorduras, aparecem os corpos cetónicos (de que a cetona) faz parte. Os corpos cetónicos são tóxicos para o nosso organismo que, a todo o custo, tenta eliminá-los pelos pulmões e pelos rins exalando as pessoas um cheiro tão característico a amêndoas amargas ou a maçã.

 

Causas do aparecimento de corpos cetónicos

Os corpos cetónicos podem aparecer devido a vários factores tais como: jejum prolongado, falta/ausência de administração de insulina e em situação de doença.

Na presença de corpos cetónicos, geralmente a glicemia apresenta valores superiores a 250mg/dl.

No entanto, em situação de doença em que há presença de vómitos e/ou diarreia,  glicemia pode ser inferior a 140mg/dl mas com presença de corpos cetónicos.

 

Como atuar?

Existem hoje em dia máquinas que fazem pesquisa não só de glicemia, como também de corpos cetónicos utilizando tiras-teste diferentes.

Convém ter um aparelho próprio para fazer a pesquisa da presença de corpos cetónicos. Caso surja um valor de glicemia inesperadamente elevado em situação de doença deve de fazer pesquisa de corpos cetónicos. Caso surjam valores persistentemente superiores a 250mg/dl deve de fazer pesquisa de corpos cetónicos.

Caso se verifique uma glicemia elevada e a presença de corpos cetónicos, o ideal é entrar rapidamente em contacto com a equipa de saúde, para que seja determinada a causa e para que possa ser corrigida.

Os corpos cetonicos apresentam positivos a partir de valor de 0,6 até 2,9 mas se for de valor igual ou superior a 3 é necessário permanecer em repouso e contactar o serviço de urgência (112).

Na presença de corpos cetónicos positivos torna-se necessário permanecer em repouso e ingerir líquidos.

No caso de presença de corpos cetónicos com valores de glicemia inferiores a 140 mg/dl, o ideal é fazer uma refeição de imediato, sem administrar insulina rápida suplementar e evitar jejuns prolongados.

 

Insulinoterapia

As pessoas com diabetes Tipo1 fazem sempre tratamento com insulina – insulinoterapia.

A insulinoterapia consiste na administração de insulina por via subcutânea (por baixo da pele). Não existem comprimidos de insulina pois não é possível absorvê-la uma vez que os ácidos do estômago a destroem.

A administração de insulina deve ser feita a par de uma vigilância correta da glicemia e de uma alimentação saudável e prática de exercício regular.

As administrações de insulina nos Diabéticos Tipo 1 são sempre adaptadas a cada caso. Deverá ser realizada a administração de insulina de ação prolongada (1 ou 2 vezes por dia em função da insulina e das características individuais de cada pessoa) e a administração de insulina de ação rápida/ultra-rápida, pelo menos 4 vezes por dia. Para a administração de insulina de ação rápida/ultra-rápida antes das refeições, recomenda-se a contagem de hidratos de carbono.

 

A técnica de administração de insulina

A técnica de administração de insulina é extremamente importante para que esta cumpra o seu efeito. Nos últimos anos as recomendações para a administração de insulina mudaram bastante. Esta aprendizagem deve ser feita junto do profissional de saúde já que a técnica de administração varia de pessoa para pessoa tendo em conta especificidades como por exemplo a espessura do tecido adiposo (camada de gordura por baixo da pele). Todas as pessoas têm tecido adiposo, mesmo as mais magras.

A insulina tem que ser administrada por baixo da pele, no tecido adiposo e não no músculo, por isso o tamanho da agulha é muito importante.

É importante que varie o local onde é administrada a insulina, utilizar sempre o mesmo local leva à criação de nódulos na pele (acumulações de insulina, chamadas de lipodistrofias) que prejudicam a absorção, além disso massacra a pele e pode causar feridas.

Para administrar a insulina deve primeiro de marcar a dose prescrita pelo médico e agitar a caneta. De seguida deve de fazer uma prega na pele com o dedo polegar e com o indicador e inserir a agulha perpendicularmente à pele (como ilustra as seguintes imagens, perfazer um ângulo de 90º entre a inserção da agulha com a pele). Posteriormente largar a prega e de imediato carregar no botão de modo a injetar o líquido. No entanto, a agulha não deve ser retirada imediatamente, deve de esperar 10 a 15 segundos após a injeção do líquido.

As agulhas devem de ser trocadas, no máximo, após 3 administrações.

 

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Quais são os riscos de não administrar corretamente a insulina?

Se a prega de pele apanhar o músculo existe o perigo de acelerar a absorção da insulina podendo provocar hipoglicemia. Outra das situações é a insulina ser administrada dentro da pele (intradérmica), esta situação pode causar dor e/ou reações alérgicas.

 

Tipos de insulina

A insulina é medida po unidades, a concentração de insulina existente em Portugal é a de 1 ml/cc=100 unidades (U-100). Comercialmente apresentam-se em frascos de 3 ml para utilização em canetas reutilizáveis ou em canetas pré-cheias. Podem também utilizar-se seringas que estão preparadas para esta concentração.

As canetas pré-cheias são canetas que trazem colocadas a carga de insulina e que são descartáveis, isto é, são deitadas fora no fim da utilização. As reutilizáveis são canetas recarregáveis em que é necessário colocar os frascos de insulina. As canetas são vantajosas, pois, além de permitirem a marcação da dose com exatidão, é apenas necessário o uso de agulhas, que são descartáveis; podem ser facilmente transportadas no bolso, o que facilita a realização da injeção.

 

Conservação da insulina

As insulinas apresentam boa estabilidade, e têm a sua ação biológica preservada, por aproximadamente 2 anos, desde que devidamente armazenadas, a uma temperatura entre 4 e 8ºC.

Após a abertura da ampola, a insulina deve ser utilizada no espaço de 1 mês.

No frigorífico e ainda por abrir, chega ao limite da validade.

No frigorífico após abertura (e em permanente uso) pode ser utilizada até 3 meses.

A insulina ão deve de ser administrada fria.

Os fatores mais importantes a serem evitados no que respeita a insulina são as temperaturas extremas e a luz do sol.

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