História

Ernesto Roma

Ernesto Galeão Roma nasceu em Viana do Castelo no dia 1 de junho de 1887. Frequentou o Curso Secundário no Real Colégio Militar e ingressou na Escola Politécnica da Universidade de Lisboa onde fez o ano de “Preparatórios” para o Curso de Medicina que tirou na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, de 1905 a 1913.

Em 1921 “descobriu a América”, como ele próprio dizia, e um ano depois estava em Boston a estagiar no Massachussetts General Hospital. Foi aqui que testemunhou a revolução da insulina e visitou a mais famosa e importante clínica diabetológica do mundo – a Clínica Joslin – para onde os descobridores da insulina (Banting e Best) tinham enviado os primeiros frascos do produto. Assistiu, pois, aos primeiros milagres desta hormona, que salvou a vida e restituiu a saúde às crianças com diabetes que até então estavam condenadas a uma inevitável morte a curto prazo.

De volta para Portugal, foi logo reconhecido como diabetologista e para o seu consultório convergiram as pessoas com diabetes a quem ele instituía a insulinoterapia.  Em 1926, frustrado pelo escândalo das mortes das pessoas pobres com diabetes que, sem qualquer assistência pública, não tinham meios de adquirir a insulina, ele mobilizou as pessoas da burguesia com diabetes, seus pacientes e amigos, e criou a Associação Protectora dos Diabéticos Pobres (hoje a APDP – Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal), a primeira associação de diabéticos do mundo, precursora do movimento associativo internacional da luta contra a diabetes.

Na APDP, logo iniciou a educação da pessoa com diabetes, sempre importante e, agora, com a insulina, imperativamente indispensável para a própria pessoa com diabetes se auto-injetar e auto-vigiar. Assim, “devolveu” à Europa esta educação iniciada em meados do século XIX por Bouchardat e, depois, “meio esquecida”, mas bem continuada na América, em Boston, por Elliot Joslin, na sua famosa clínica.

Adaptando a Clínica Diabetológica às condições dos pobres em Portugal ele criou uma escola original em que a insulina era prescrita não só nas crianças como também nos adultos. A dieta associada à insulina já podia ser alargada, permitindo à pessoa com diabetes comer de tudo o que a sua família comia – excluindo obviamente o açúcar – e limitando o cálculo da dieta apenas aos hidratos de carbono.

Ernesto Roma, sozinho, estudou e habilitou-se em gastrotecnia, dietética e quiropodia e na APDP teve durante decénios a única Escola Diabetológica de Clínica Pedagógica do País.

Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP)

Em Portugal, a luta contra a diabetes está desde o início ligada à Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal. O seu fundador, Ernesto Roma, acabara de concluir um estágio de especialização nos Estados Unidos da América, tendo aí tido a felicidade de assistir aos primeiros ensaios clínicos nos quais, pela primeira vez, se administrou a insulina, recentemente descoberta, no tratamento das pessoas com diabetes tipo 1. Ficou tão impressionado com os excelentes resultados obtidos que logo em 1926 fundou em Lisboa aquela que viria a ser a primeira Associação de Diabéticos do mundo, a Associação Protectora dos Diabéticos Pobres, com o objetivo primeiro de fornecer insulina gratuita às pessoas indigentes com diabetes.

No entanto, estas preocupações filantrópicas cedo se acompanharam de outras, nomeadamente no tocante à educação da pessoa com diabetes. Ficaram célebres as palestras que Ernesto Roma ministrava aos doentes na sala de espera da Associação enquanto aguardavam pela consulta. Nestas palestras focavam-se aspetos como a dieta, cuidados podológicos, autocontrolo, entre outros.

Por esta altura, poucos anos depois da sua fundação, a Associação não só prestava assistência às pessoas pobres com diabetes, sem meios para adquirirem insulina, como a todas as pessoas com diabetes que procurassem os cuidados médicos da instituição.

Sentiu-se também a necessidade de informar a opinião pública sobre a doença e as formas de a prevenir bem como de fazer a prevenção das suas manifestações tardias. Simultaneamente, alertava-se a população para a importância da integração das pessoas com diabetes, na sociedade, sem discriminações sociais e/ou profissionais.

Com estes objetivos deu-se à estampa em 1931 o primeiro Boletim da Associação, que desde então, com maior ou menor regularidade, tem levado a voz da APDP aos associados e à opinião pública. Chama-se hoje “DIABETES -Viver em Equilíbrio”.

Em 1931 o número de utentes assistidos na Associação rondava os 1.000. Este número eleva-se hoje a mais de 30.000. Sempre se notou uma correlação direta entre o aumento da doença em Portugal e o número de pessoas com diabetes inscritas na APDP.

Entre 1926 e 1973 a Associação foi-se desenvolvendo com maiores ou menores dificuldades, conhecendo diversas sedes, tendo inclusive passado por uma experiência de delegações em Coimbra e no Porto.

Em 1973 alterou o seu nome de Associação Protectora dos Diabéticos Pobres para um nome mais consentâneo com a verdadeira vocação da instituição, com a sua modernização e desenvolvimento e com a nova realidade do país: ASSOCIAÇÃO PROTECTORA DOS DIABÉTICOS DE PORTUGAL – PORTUGUESE DIABETES ASSOCIATION.

De uma Associação com fins essencialmente caritativos e filantrópicos, a APDP transformou-se numa instituição de saúde moderna, de referência, sendo simultaneamente uma Associação vocacionada para a defesa dos direitos das pessoas com diabetes e para uma correta integração das pessoas com diabetes na sociedade e uma clínica prestadora de cuidados médicos integrados e diferenciados, sem descurar os aspetos formativos e de investigação inerentes à excelência dos serviços prestados.

Museu da APDP

O Museu da APDP contém uma grande parte da história do século XX da saúde em Portugal em geral, e da diabetes em particular. Documentos no Museu incluem, por exemplo, os Estatutos da APDP desde a sua fundação, escritos de Ernesto Roma e cartas da última Rainha de Portugal, D. Amélia.

Está ainda em exibição uma coleção de equipamento e instrumentos usados para apoiar as pessoas com diabetes, mostrando a sua evolução histórica.

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